Home 2018-03-21T16:44:31+00:00

é agreste.
As canções são de veludo. Veludo festivo, cor de carmim.
Veludo sofrido… magoado.

Disco de estreia de Maria João Fura apresenta 12 canções originais em português, que abordam o quotidiano atual com ironia.

Se a maioria das vezes as canções parecem ter voz de mulher, podem também transfigurar-se em pele de qualquer um. Voz com corpo que treme, solta fogo de artifício, fica indiferente, pode ser feliz por acaso, seduzida pelo escuro…

Com fortes melodias tecidas por vários estados de alma, que se desenvolvem numa ambiência que viaja entre a Bossa-Nova, o Soul, o Pop-Eletroacústico, o Cool Jazz e a World Music.

O disco, gravado nos Estúdios da Valentim de Carvalho e masterizado por António Pinheiro da Silva, é um projeto pessoal amadurecido, onde a cantautora que se acompanha à guitarra contou  também com a participação de 19 músico do panorama músical atual.

A autenticidade de Maria João Fura suscita reconhecimento no meio musical tendo sido selecionada para os prémios Zeca Afonso e Ary dos Santos em 2015 e 2017, com duas canções que estão agora neste disco.

Seus concertos em Portugal e no Brasil têm tido uma excelente recetividade do público, tendo contado com a participação de músicos de relevo como Jorge Palma.

Letras

Segue o teu passo,
Incerto, inseguro
Com o tempo chegarás

Segue o instante
E o momento perdura
Por ser mais forte

Segue o vento que for pra voar
Num rodopio, turbilhão, vendaval
Abrir os braços
Prós braços que estão a chegar
Abrir os braços
Prós braços que estão a chegar

Aconteça o que aconteça
Não te pareça que eu te esqueça
Que fui embora, naquela hora
Não te esqueci

Aconteça o que aconteça
Nunca te passe pela cabeça
Que este amor um dia esmoreça
Ou irá ter fim

Acontece a muitos corações
Que gostam de viver de ilusões
Gostam de sufocar nas paixões
De sofrer, por sofrer, só assim

Aconteça o que aconteça
O teu sorriso, tua beleza
Está como força da natureza
Entranhado em mim

Aconteça o que aconteça
Estarei disposta a estar sempre presa
A este amor que parece doença
Ou coisa ruim

Acontece a muitos corações
Que gostam de viver de ilusões
Gostam de sufocar nas paixões
De sofrer, por sofrer, só assim

Aconteça o que aconteça
Nunca virá quem tanto te mereça
Eu posso esperar, eu não tenho pressa
Eu estarei aqui

Aconteça o que aconteça
Não te pareça que eu te esqueça
Que fui embora, naquela hora
Não te esqueci

Aconteça o que aconteça

Falam do teu novo amor
E eu não sei porquê
Não sinto um pingo de dor
Estou tão indiferente
Aquilo que a gente foi

Mas passo as madrugadas
A fazer canções das histórias passadas
Dos dias felizes, desconto os deslises
Ilusão não dói

Eu sei que te vais passear
Com o teu novo amor
Só pra me provocar
Mas quando chegar a tardinha
Eu pergunto por quem vais esperar

Por isso, meu amor o que falam ai
Só vendo prá acreditar
Por isso, meu amor o que falam ai
Só vendo prá acreditar
Por isso, meu amor o que falam ai …

Falam do teu novo amor
Falam, falam
Falam do teu novo amor
Falam, falam

Só vendo prá acreditar

Não penses que vou por ai
Andar às avessas
Promessas são promessas
E por mais que tu me peças
Eu já nada tenho pra te dar

Podes até colorir
Todo o nosso desejo
Que o traço a carvão
Marcado com a tua mão
Desbotou o meu gostar

Talvez um dia qualquer
Serei uma outra mulher
Mas agora, pra mim já basta
E pra ti, já nada resta

Talvez um dia qualquer
Serei uma outra mulher
Mas agora, pra mim já basta
E pra ti, já nada resta

Então é melhor partires
Lançares fogo noutra festa
Esse fogo de artifício
Que usas pra dar corda ao vício
Isso pra mim não me interessa

Talvez um dia qualquer
Serei uma outra mulher
Mas agora, pra mim já basta
E pra ti, já nada resta

Talvez um dia qualquer
Serei uma outra mulher
Mas agora, pra mim já basta
E pra ti, já nada resta

Então é melhor partires
Lançares fogo noutra festa
Esse fogo-de-artifício
Que usas pra dar corda ao vício
Isso pra mim não me interessa

Esse fogo-de-artifício
Que usas pra dar corda ao vício
Isso pra mim não me interessa

Esse fogo-de-artifício
Que usas pra dar corda ao vício
Isso para mim não presta
Então é melhor partires

Dizes-me adeus,
Com os olhos nos meus
D’um bolso a escorrer sonhos
Um eu é poucos eus
Um eu é poucos eus

Além de ti jaz tudo o que vi
Amor arde sem fumo
Foi uma coisa que li
Foi uma coisa que vivi

Lancei-me ao mar,
Mas não te vi
É o hábito de ser assim, ser assim
Lancei-me ao mar,
Mas não te vi
É o hábito de ser assim

Amanhã ao acordar
Talvez me canse de te amar
Talvez sejas pra mim
Talvez me veja a passar por ti

Lancei-me ao mar,
Mas não te vi
É o hábito de ser assim, ser assim
Lancei-me ao mar,
Mas não te vi
É o hábito de ser assim

Fui eu, sim fui eu
Que te puxei com instinto de bem
Fui eu, sim fui eu
Quem te fez navegar mais além
Fui eu, sim fui eu
Que te levei a libertar e a teres força pra soltar
Tudo em ti e o que te detém

Fui eu, sim fui eu
Quem te levou a dançar
Fui eu, sim fui eu
A dança macabra d’amar
Fui eu, sim fui eu
Que te levei a acreditar que o amor é sempre belo
E precioso de encontrar

Fui eu, sim fui eu
Quem tu foste duvidar
Que o meu amor é só teu
E não te deixaste encantar
Fui eu, sim fui eu
Que me virei toda do avesso
E tu sem qualquer apreço
Não retiraste nenhum véu

Mas fui eu, sim fui eu,
Por quem o teu corpo tremeu.

Estou de visita ao fosso
Pra ensaiar o desgosto
De todas as inquietações
Estou pronta pra me lançar aos leões

Claro que prefiro feras
Ao vazio das esperas
Da solidão de milhões
Prefiro nadar no mar alto
Prefiro estar em sobressalto com palpitações

No breu eu encontro luz
O escuro é que me seduz
Pra todos os medos
E aos segredos que hão-de vir
Vou aceitar tudo sem resistir

Claro que prefiro feras
Ao vazio das esperas
Da solidão de milhões
Prefiro nadar no mar alto
Prefiro estar em sobressalto com palpitações

No breu eu encontro luz
O escuro é que me seduz
Pra todos os medos
E aos segredos que hão-de vir
Vou aceitar tudo sem resistir

Somos da casta renovada
D’uva de parra enxertada
Em corno de cabra alada
A esvoaçar no Bairro Alto
De bar em bar, ondulante
Qual comédia de Dante
Vamos cantando o Fado

Saliva tudo a teu gosto
Não aceites o imposto
De tantos Irs’s
E outras taxas que tais
Feitas pra distribuir
Aqueles que tu bem sabes
Que são os que têm mais

E vamos lá, mais um gole
O vinho que nos console
De política estou farta
Manifestei-me hoje à tarde
Encenei a revolução,
Foi mais um grito da malta

Os do alto nem lá estavam
Mas vão dizer: “sim, senhor “
Que estão ao nosso dispor
Pra nos cortar onde falta

Por isso, vá lá, mais um gole
O vinho que nos console
De política estou farta
Manifestei-me hoje à tarde
Encenei a revolução
Foi mais um grito da malta

E vamos lá, mais um gole
O vinho que nos console
De política estou farta
Manifestei-me hoje à tarde
Encenei a revolução
Foi mais um grito da malta

E vamos lá, mais um gole
O vinho que nos console
De política estou farta

Tu tens mil almas
E eu não sei qual hei-de ter
Se a que me dói
Se a que me ofusca e dá prazer
Se a que me explora e me pede sempre mais

E nos recantos onde espero encontrar
Algum calor, tu nada tens para me dar
Algum sentido nesses passos infernais

Desisto da poesia
E de toda a terapia
Não tenho tempo pra nada
Trabalho o dia inteiro
De Janeiro a Janeiro
E até de madrugada

Serei feliz por acaso
Se houver algum percalço
Nesta rotina vã
Não oiço este pensamento
Que me tortura por dentro
Pois vou trabalhar amanhã

Para para pá pá
Pa rara para para
Para para pá pá
Para para pá pá
Para para pá pá
Pa rara para para
Pa rara

E é nesta correria
Que sonho o que seria
Se tudo fosse diferente
Imagino que esse dia
Irá chegar de repente

E mergulho neste sonho
Que me leva ao abandono
Pra poder descansar
Pois amanhã logo cedo
Tenho de ir trabalhar

Para para pá pá
Pa rara para para
Para para pá pá
Para para pá pá
Para para pá pá
Pa rara para para
Pa rara

Serei feliz por acaso
Se houver algum percalço
Nesta rotina vã
Não oiço este pensamento
Que me tortura por dentro
Pois vou trabalhar amanhã

Para para pá pá
Pa rara para para
Para para pá pá
Para para pá pá
Para para pá pá
Pa rara para para
Pa rara

Minha língua não tem letras
Escritas por nenhum polegar
De  mensagens tão discretas
Entre sexo invulgar

Sexo apenas, dizes tu
Com umas pitadas de amor
Sentes como a avestruz
Enterras qualquer calor

Com amor é impossível
De controlares os teus planos
De teclares pra um universo
De hipóteses de amores mais estranhos

E lá vais fazendo zapping
Nesta nova televisão
Trocas-me por uma tecla
Desligas-me no teu botão

Tantos retratos modelo
Disparam teu coração
Escolhe bem o teu perfil
Tua sombra, solidão

Num mundo cheio de figuras
Àvidas para amar
Ali mesmo à tua mão
Tão perto do teu radar

Mas, com amor é impossível
De justificares enganos
Tão sedentos de vontade
Acumulada há mil anos

E lá vais fazendo zapping
Tu que nunca dizes não
Trocas-me por uma tecla
Desligas-me no teu botão

Trocas-me por uma tecla
Desligas-me no teu botão
Trocas-me por uma tecla
Desligas-me no teu bo….tão

Dou-te um minuto por dia
Tempo que sobra p’ra dar
Asas à minha ironia
E p’ra não te castigar

Depois dou-te um pouco mais
Na fogueira da preguiça
Onde o tempo se desfaz
Enroscados que delicia

À vida dou tudo num minuto por dia
Ávida dou tudo num minuto por dia

Tua sede é o meu lago
D’ águas fundas transparentes
Que me lava o corpo todo
E até dá fé aos descrentes

Liberta de tatuagens
Marcas cravadas na pele
E de sinais de outros tempos
De folhetins de cordel

À  vida dou tudo num minuto por dia
Ávida dou tudo num minuto por dia

Ao sabor deste balanço
Ao ritmo desta toada
Nem me importo de parecer
Espécie de alma penada

Nem me importo de parecer
Espécie de alma penada

À vida dou tudo num minuto por dia
Ávida dou tudo num minuto por dia

Àvida dou tudo num minuto por dia
De prazer a ferver
Ávida dou tudo num minuto por dia

Olha quem diria amor!

Próximos espectáculos

Maria João Fura

A música e o tocar de instrumentos fizeram parte da sua vida desde criança e adolescente. Frequenta o curso de instrumentista de violoncelo na Escola Profissional de Évora, na mesma altura em que estuda Engenharia Agrícola. Em paralelo, estuda guitarra clássica no Conservatório Regional de Évora e participa em vários projetos.

Exerce como professora de Educação Musical e licencia-se em Musicologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde tira a Pós Graduação em Pedagogia Musical.

Compõe canções para as peças de teatro Dentro de mim Acontece… de Mário Fedele e Tanixumá, a partir de Peregrinação de Fernão Mendes Pinto – inserida nas comemorações dos 500 anos do seu nascimento.

Um destes temas foi usado para o spot publicitário de divulgação na RTP e Antena 2.

Em 2012 desenvolve um intenso trabalho de composição a nível de letra, música e arranjos, tendo composto mais de 20 canções em dois meses.

Desde então, a cantautora tem vindo a desenvolver o seu projeto musical, apresentando-se a solo acompanhada pela sua guitarra ou em quinteto com músicos oriundos de variadas correntes musicais.

Concertos realizados:

Instituto Juca de Cultura (São Paulo/BR), Ilha das Flores (São Paulo/BR),

Festival Caldas Nice Jazz, Festival Silêncio, Festival Música a Metro,

Festival Cantar Abril, Festival Intendente em Festa,

Festival Faz Música (2014, 2015 e 2016), Festival da Terra P´la Terra,

Teatro da Comuna, Teatro A Barraca, Teatro Chapitô, Pensão Amor,

Duetos da Sé, Fábrica Braço de Prata, Renovar a Moraria.

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